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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

EDITORIAL - Momento de avaliar e, sobretudo, agradecer

           A vida é uma grande estrada na qual ao longo da caminhada vamos semeando possibilidades, removendo obstáculos, aprendendo e estabelecendo relações que permitem o crescimento pessoal e coletivo.

          Podemos fazer desta trajetória um percurso de grande aprendizado, e este podemos direcionar de forma a estabelecermos nossos objetivos. Ao chegarmos no mês de dezembro, vamos rever o ano que passou, as dificuldades, as derrotas, as vitórias, o imprevisível, mas, acima de tudo, a superação e a capacidade de entendimento e de compreensão dos processos por nós vivenciados e que nos fazem refletir sobre as experiências adquiridas nesta pequena caminhada.

           Podemos colher algumas conclusões, vontades e desejos e descobertas de quem verdadeiramente quer trabalhar por um Rio Grande, sem vaidades, sem egos e sem disputas pessoais. Pois é momento de pensarmos no todo, como um conjunto de possibilidades capazes de transformarem para melhor nossa sociedade, nossa instituição. Momento de deixarmos de lado os interesses meramente de entidades, regiões, pessoais. Desenvolvermos uma ação coletiva, uma ação que expresse de forma natural a vontade de vivermos o verdadeiro, o simples e o tradicional.

           Estas questões aprendemos no seio de nossas famílias, passadas através de nossas gerações. Nas instituições somos instrumentos para repatriarmos estes conhecimentos e aprendizados para todos. Para dirigir uma entidade não é preciso ser especialista; basta conhecê-la, respeitá-la e fazer com alma, pureza e simplicidade. Usar dos nossos conhecimentos herdados de família, de gerações, acrescentando o que a vida nos proporciona, os conhecimentos adquiridos no ensino educacional e profissional de cada indivíduo, fazendo com que tudo isso seja capaz, em um pequeno espaço de tempo, de contribuir com o que o movimento necessita.

         O Continuar, ao meu entender, é também ter a capacidade de evoluir, aprender e aprimorar os processos de todas as instituições envolvidas e a capacidade de contribuirmos com o crescimento das pessoas, oportunizando a elas as mesmas possibilidades que tivemos.

         Ao findar este ano, que foi extremamente difícil, com muitos desafios, incertezas e dúvidas, mas acima de tudo com claros propósitos e objetivo, tenho que agradecer. A todos, patrões, coordenadores, conselheiros, prendas, peões, tradicionalistas, avaliadores, amigos, todos os tradicionalistas, aos colaboradores do MTG e FCG, o meu “muito obrigado”. À diretoria do MTG, um carinho e agradecimento muito especial por todos os momentos que passamos e fomos capazes de superar juntos.

          Agradeço às empresas parceiras e patrocinadoras, e não poderia deixar de mencionar os Voluntários, que compreenderam e acolheram os propósitos de crescimento e mudanças necessárias para este momento. Aos jovens, que tanto tenho mencionado de uma forma insistente com o objetivo único para tornar real e efetiva sua participação, que continuem e acreditem, ocupando seus espaços que de direito têm. Ainda temos um longo caminho pela frente a ser percorrido com coragem e determinação. Espero que percebam o momento que vivemos e o caminho a percorrer. Vamos deixar de lado amarras, e vivermos com coragem uma nova caminhada, com responsabilidade e determinação. A sociedade percebe e nos acompanha nesta jornada. Barbosa Lessa pensou um movimento de todos e convido a todos a buscarem este movimento. Feliz Natal e um ano novo repleto de esperanças e realizações.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

domingo, 12 de novembro de 2017

Editorial do presidente - Dividir para dominar? Ou agregar para fortalecer?

            Em nossa caminhada nesta vida percebemos ou deveríamos perceber o quanto é importante buscar o conhecimento nas relações pessoais e dentro desta sociedade. Acontecimentos diariamente ou em determinados períodos nos fazem refletir, nos aperceber do quanto a vida nos ensina, através de muitos exemplos e caminhos.

            Estes momentos servem para reformulações, aperfeiçoamento e fortalecimento de muitas convicções. Muitas decisões são solidificadas com base nestes momentos. Percebemos que, muitas vezes e indevidamente, potencializamos acontecimentos e vontades meramente individualistas.
Buscarmos o conhecimento e aprimorarmos estas relações às vezes pode nos colocar em cheque, em dúvida para muitos. A afirmação, atribuída à psicanalista austríaca Melaine Klein, de que “Quem come o fruto do conhecimento é sempre expulso de um paraíso”, é verdadeira.

            Por isso mesmo, em alguns momentos desta caminhada, pensar é uma atividade perigosa e arriscada. Tomar posições pode desagradar e retirar as pessoas da famosa “zona de conforto”. Discordar não se encaixa em uma realidade de crescimento coletivo, mas sim de uma disputa de ego e poder.

            Transformamos o conhecimento que deveria ser compartilhado com o único objetivo de unidade dos grupos em mecanismo de poder e submissão, às vezes de medo. Involuntariamente ou de forma planejada agimos desta forma, transformando um bem intelectual em algo dominador e excludente.

             Faço estas colocações e trago à luz de nossos dias porque muitas vezes vemos as situações exemplificadas acima dentro do nosso Movimento. De que forma poderíamos ser mais agregadores, mais acolhedores, tornarmos mais humanos em todo este processo?

             Devemos fazer do conhecimento uma forma de pensarmos, de modelarmos nossas atitudes, de abrirmos novas portas, novas possibilidades, oportunidades, de fazermos diferente e melhor.
Pensarmos e abrirmos nossas mentes permite sermos capazes de expressarmos as nossas qualidades individuais, produzindo efeitos de crescimento coletivo. Estas reflexões direcionam para uma mudança de comportamento, que, penso, estejamos vivendo neste momento em nosso movimento.

              Não podemos fazer de pequenos movimentos como norteadores de nossa caminhada. A amplitude de nossos pensamentos vai conduzir à amplitude de nossas atitudes, desta mudança na construção de conceitos verdadeiros que nos representem de uma forma horizontal e verdadeira.

             Esta pequena reflexão vem ao encontro de tudo que tentamos incansavelmente fazer ser entendido por todos: é possível mudar. Difícil é  e será sempre, mas não é impossível. Deixo a todos fazerem suas conclusões. E que venha nosso maior festival o Enart, que possamos todos juntos conviver em harmonia e muita paz.

             Sucesso a todos. Abraços.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Editorial da Diretoria do MTG - Por um sempre jovem MTG

           Todos os eventos realizados pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho são especiais, mas um, em particular, tem um brilho diferente. É quando outubro chega que comemoramos o aniversário do MTG. No dia 28 serão 51 anos dedicados à causa tradicionalista.

            É um momento de festa, alegria e confraternização entre gaúchos de nascimento e de coração de todos os pagos, mas é sobretudo um tempo de reflexão. Fazemos assim também em nossas vidas. Costumamos analisar o que de bom aconteceu no último ciclo, o que poderia ter sido melhor ou diferente, e tecemos os melhores planos para o ciclo que chega.

             Temos, enquanto instituição, motivos para comemorar? Certamente. Temos melhorias a serem implementadas? Sempre, pois também é assim a vida: contínua. O MTG, como um organismo vivo, renova-se constantemente e nisso talvez resida o segredo de sua longevidade e vigor.

            É inquestionável, portanto, a importância dos jovens entre nós. Tal qual a primavera, que no ciclo anual traz à vida um novo sopro, um novo impulso, renovando não somente a paisagem, mas também as intenções, os jovens dão novo ânimo para o MTG. O brilho nos olhos, a energia, a vontade de fazer mais e melhor, a disposição para o que der e vier, o compromisso e o capricho em todos os detalhes são elementos impulsionadores. Mais: são elementos inspiradores, para todos aqueles que compõem as fundamentais raízes desse movimento, as gerações anteriores, mais experientes, que já viram muito desta vida e que constituem o tronco sólido da instituição.

            É possível conciliar tradição com juventude? O MTG tem demonstrado que sim. Conseguimos unir o antigo com o novo, o sábio com o aprendiz... E aqui estamos falando não da idade física, mas sim de estado e presença de espírito...

            Neste dia 28 de outubro, vamos comemorar. Venha para festa de aniversário do MTG. Mas se você não puder, comemore onde estiver.


Diretoria do MTG

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Editorial do presidente - As lições do “Brasil de Bombachas”

            A vida nos coloca diante de muitos desafios e o tamanho e a dimensão deles são verdadeiras surpresas. Algumas são positivas e outras tantas são capazes de nos fazerem crescer e buscar o entendimento e compreensão de que estamos no local por algo que a vida vai mostrar.

            Talvez seja a missão de cada um, a nossa missão. O que podemos dizer é que são sentimentos que nos movem, incompreendidos por uma minoria incapaz de perceber o bem que podemos fazer e a luta que travamos para fazer valer valores nos quais acreditamos, valores que nos foram passados e que são tão caros e muito verdadeiros.

            Experiências nos trazem a luz destes verdadeiros compromissos estabelecidos com a grande coletividade, nos fazem acreditar mais, fazem  perceber que todo o sacrifício é algo que um dia será reconhecido. Pequenas ações, pequenos movimentos demonstram este caminhar, fortalecem e firmam nossas pegadas.

            Digo e faço estas considerações porque fazemos parte de um movimento organizado que preserva a manutenção e continuidade desta luta iniciada há 70 anos. Quando da realização do Rodeio Nacional de Querência, no Mato Grosso, organizado por nossa confederação, a CBTG, comprovamos o quanto é compensadora esta luta, este sentimento que cada gaúcho carrega por qualquer lugar que ande pelo Brasil e o Mundo, consolidado em cada ato e ação, o sentimento de pertencimento de nossa identidade regional.

           Em que momento vamos perceber esta grandiosidade e transformá-la em ações efetivas de construção social e coletiva, deixarmos de lado, agirmos com menos intensidade em competições e sim exaltarmos os objetivos do início do Movimento? Temos que nos aperceber da grandiosidade do sentimento que move a todos os Gaúchos que espalharam CTGs por este Brasil, com um único objetivo, não para competirem, mas sim para alicerçarem estes valores iniciais do nosso Movimento e consequentemente não perderem suas origens, suas referências.

           Este “Brasil de bombacha” ainda tem muito a nos ensinar e nós temos a responsabilidade e o respeito com todas estas pessoas que  amam e respeitam  de uma forma muito especial nossa cultura regional. Reforcei o que já tinha plena convicção: que nossa responsabilidade, aqui no Rio Grande, é muito grande na preservação dos sentimentos mais puros e autênticos de nossa cultura e tradição.

            Neste ano, em que completamos 70 anos do acendimento da chama crioula, devemos parar e refletir diante de todos estes movimentos sociais e nos perguntar quais destes movimentos verdadeiramente são comprometidos com os ideais de 1947. Será esta corrida incansável e sem limites por competição? Ou a preservação e manutenção deste sentimento que todos carregamos em um lugar muito especial de nosso peito? Estas perguntas merecem uma resposta capaz de nos remeter aos verdadeiros ideais de setembro de 47. Convido a todos para buscarem esta resposta agora no acendimento da chama na cidade de Mostardas. Vamos lá, juntos, mergulharmos em um profundo momento de reflexão e voltarmos àquele ato mágico, simples, mas de uma consciência social e coletiva incomparáveis. Até Mostardas.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Editorial do Presidente - A Paixão Côrtes, nosso Muito Obrigado!

             Ao longo de nossas vidas percorremos muitos caminhos, nos quais vamos deixando nossa marca. Algumas são permanentes e outras não; pessoas, empresas, instituições e amigos, e àqueles que nos marcam devemos agradecer e reconhecer pelo bem que nos foi feito.

             Desta vida nada levamos, apenas deixamos marcas e temos que ter o extremo cuidado de fazer isto com muita responsabilidade. O mês de julho, para os tradicionalistas, deve ser um mês de agradecimento a um ser humano que nos marcou tão profundamente em nossas vidas e na forma de olharmos nossa sociedade, valorizando e descobrindo nossa identidade cultural regional, de nos reencontrarmos com nossa formação, com nossas origens.

              Falo aqui porque no dia 12 de julho completa 90 anos nosso querido amigo João Carlos Paixão Côrtes, um homem capaz de unir jovens e despertar de uma forma incontrolável este sentimento de pertencimento de nossa gente pela nossa cultura regional. Ele faz parte de um tempo em que grandes pensadores e intelectuais percorriam nosso meio de uma forma simples e contributiva a todo este processo que desencadeou em setembro de 1947 o surgimento do movimento organizado. O MTG é uma consequência do processo social iniciado neste período, desenvolvendo desde o início a capacidade de organizar e orientar, na medida do possível, esta caminhada em nossa sociedade.

             Vivemos um momento de profunda transição que com certeza deveríamos voltar aos ideais e princípios daqueles jovens liderados por Paixão Cortes. Vivemos o momento de retomarmos o chamado “Velho Tradicionalismo”, aquele que inspirou inúmeras pessoas a participarem deste movimento. Um tradicionalismo que aprendi com meus pais, e que alguns julgam como ultrapassado, mas que penso ser o verdadeiro e único caminho de reencontro com nossas origens.

              Neste cenário que nos encontramos devemos dar um muito obrigado muito especial em nome de todos os tradicionalistas, de nossa sociedade, pela insuperável contribuição de seu trabalho de pesquisa para com nossa cultura regional.

             Agradecer é pouco, reconhecer e lutar verdadeiramente por estes valores basilares de nossa identidade é nosso dever e obrigação, pela nossa consciência de implementarmos uma sociedade mais coletiva, mais justa e mais humana capaz de efetivamente mantermos nossa unidade com aquele espírito.

              Não podemos olhar a foto do Grupo dos Oito, a foto do acendimento da chama, do primeiro candeeiro, da primeira ronda ou do primeiro baile gaúcho e sermos somente saudosistas. Devemos nos reencontrar, voltar um pouco ao passado, buscarmos nossa essência, nossos referenciais. Qual tradicionalismo queremos continuar praticando?  Aquele em que nos perdemos em competição, em vaidades pessoais, disputas de poder, regras, ego...... ou aquele que começou com aqueles jovens de 1947? Aqueles jovens nunca imaginaram onde chegaríamos e o tamanho do movimento atualmente, mas tenho certeza de que gostariam que algumas questões fossem revistas e readequadas às suas origens.

             Nossa grande referência completa 90 anos. Neste dia 12 de julho, obrigado Paixão Côrtes por ter nos dado a oportunidade de descobrirmos e preservarmos nossas origens. Agradeço em meu nome e do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Muita saúde e vida longa.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Meus jovens, façam acontecer. O momento é de vocês

            Ao fecharmos as portas do mês de maio, encerramos um dos ciclos mais importantes do MTG. Passamos Abril e Maio, meses em que nossa juventude está em evidência, no Entrevero Cultural de Peões e na Ciranda Cultural de Prendas, eventos onde reforçamos a importância de nossos jovens na construção de novas alternativas e renovamos esperanças no surgimento de lideranças capazes de continuarem a caminhada iniciada no ano de 1947 por jovens que deram um grito na direção da valorização de nossa identidade.

             Aos peões e prendas que trabalham nas bases do Movimento, em suas entidades, regiões, estudando, pesquisando, trabalhando no fortalecimento destes valores que norteiam esta caminhada, agradecemos imensamente o esforço e dedicação pessoal de cada um. É necessário que tenhamos o entendimento e percepção do momento que estamos passando e vivendo em nosso Movimento.

            A sociedade sinaliza com questões que devem ser encaradas e compreendidas por todos. Este período de transição é inerente ao nosso convívio social, entidades, federações e associações, até mesmo em setores públicos. Devemos ter a humildade e a grandeza para prepararmos efetivamente novos líderes em um novo tempo, com novas propostas e conceitos capazes de fortalecer nossos posicionamentos, sem ferir ou mudar nossos valores fundamentais.

            A sociedade pede, necessita, clama por líderes capazes de compreender estes processos, um processo coletivo de valorização de todos, como nos princípios do Movimento. Tenho esta clareza e convicção, aprendi desta forma, tive a oportunidade de conviver dentro do Movimento Organizado nos últimos 40 anos e vejo hoje a necessidade desta retomada. Participei quando criança, adolescente, jovem e adulto como dirigente de entidade, de coordenadoria regional e agora na direção MTG. Percebo e tenho convicção de que esta renovação e retomada passam, sim, pelos jovens, desde que estes tenham o conhecimento da trajetória e construção de nossa federação.

             O Movimento revigora-se quando oportuniza a estes uma participação construtiva, sem medos, sem receios, mas com a vontade, a coragem e o desejo de que pode ser feito. Faço a leitura no brilho dos olhos, nos sentimentos que palpitam em cada coração, nos projetos que nascem em cada mente desta gurizada, estes sonhos de uma sociedade mais justa e contemplativa a todos. Sei que vocês não têm o poder de decisão em muitos momentos, mas têm a capacidade de mobilização que é inerente ao jovem, a capacidade de resignar-se e fazerem o contraditório. Devem começar a abrir as mentes, pensar por vocês, pelos sonhos de cada um e que tornem, estes, em sonhos coletivos capazes de construir uma sociedade mais igualitária, honesta e ética.

             Esta nova geração dos 50 anos é responsável por este período de transição, com o discernimento de mesclar com a experiência e sabedoria de todos. São entendimentos necessários, para que possamos conviver em “santa Paz”, como diz nosso hino, na convivência das gerações, sem que ocorra a anulação de qualquer um neste processo.

             Meus jovens, façam acontecer. O momento é de vocês. A hora é esta, vamos juntos estabelecer uma nova relação. Baseado e alicerçado em muitos depoimentos que trazem à direção do movimento, entendo e percebo, concluindo que devem fazer valer estas vontades. Parabéns pela trajetória de vocês e um forte abraço.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Editorial do Presidente - MTG acima de tudo

“Mas além dessas comendas
E outros terrenos troféus
Gravaste sob estes céus
Medalhas que ninguém cunha
E o Brasil é testemunha,
Que por mais que a História ande
Nunca haverá outro Rio Grande
Nem outro Flores da Cunha”

              Estes versos do grande poeta Jayme Caetano Braun, do poema o Último Caudilho, nos remete em pensamento a uma inevitável comparação do comportamento social e ético de homens que fizeram nosso tempo. O General Flores da Cunha governou o estado durante sete anos e entre suas inúmeras realizações, de ordem estrutural, econômica e social, a mais relevante foi administrar o Estado sem qualquer aumento de impostos neste período.

            Faço estas referências históricas iniciais a estes homens governantes de um tempo em que sonhavam e realizavam projetos coletivos sem a motivação e o desejo de vantagens pessoais, e trago aos dias de hoje a todos os que dedicam seu tempo, inteligência e habilidades para contribuírem com a sociedade tradicionalista e nossa federação (MTG e entidades filiadas). Não podemos deixar a poeira dos dias encobrir estes exemplos, não podemos deixar o tempo passar e esquecermos esta forma de gerirmos a coisa social de forma transparente e voltada às pessoas e entidades que as organizam.

            Neste processo de interação descobrimos muitos que lutam, às vezes de forma desigual, e até contra interesses maiores, pelo bem do Movimento Tradicionalista Gaúcho, e aqui entenda-se também todas as entidades filiadas. Estas sofrem as pressões e a federação, por sua, vez deve ter este entendimento e compreensão para poder dar a devida orientação a todos os seus filiados.

           Nossa Federação, ao longo dos anos, tem contado com o trabalho de abnegados tradicionalistas que dedicam-se à construção e preservação desta organização chamada MTG. Por sua vez, as entidades filiadas, da mesma forma, contam também com estes voluntários e o espírito de trabalho coletivo nas bases. Nas entidades começa a formação de novas lideranças, por isto a perenidade do MTG como instituição social que congrega este contingente de filiados.

            Vivemos um momento de profunda transformação em nossa sociedade, onde estes valores tão caros para os tradicionalistas estão sendo colocados à margem de uma sociedade cada vez mais desumana e menos solidária. Precisamos estabelecer e fazer valer em uma só voz uma ação transformadora, solidária e coletiva. Este é o momento, esta é a hora.

            O fortalecimento destes propósitos passa pela união de todos e a ação do indivíduo em objetivos coletivos. O medo dará lugar a um novo tempo. É difícil, sim, mas tenho certeza que é plenamente possível mudarmos e construirmos uma sociedade mais justa. Só o passado nos faz entender o presente e preparar o futuro. Vamos fazer sempre valer nossos valores maiores de trabalho, dedicação, preservação, honestidade e ética. Não podemos perder este fio da história que nos conduz a sermos o que somos hoje: MTG acima de tudo.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Editorial do Presidente - O exemplo que vem das crianças

          Nestas caminhadas estamos sempre em busca de respostas, em busca de certezas e não raro percebemos que todos os nossos movimentos são precisamente analisados pelos “entendidos”, aqueles que estão sempre de plantão em suas zonas de conforto para criticar.

          É difícil termos o entendimento da grandeza do Movimento do qual fazemos parte?  Estamos em um ano de profundas mudanças de conceitos e na forma de fazermos, de pensarmos, um movimento mais coletivo e contemplativo a todos, de buscarmos mecanismos que possibilitem demonstrarmos novamente a maioridade da nossa instituição.

           Neste ano comemoramos os 70 anos do acendimento da chama crioula, um ato de apropriação e demonstração de nossa identidade regional. Escolhemos o tema quinquenal do voluntariado para trabalharmos e redescobrirmos o verdadeiro espírito desta atividade social. Estamos aprofundando momentos de reflexão de nossos movimentos e atitudes em nossa entidade. Devemos ter a humildade e grandeza de que necessitamos voltar as nossas origens, aos primórdios do movimento, aonde tudo começou, de que forma e por que começou com este formato.

          Não nos apercebemos ainda do grande segredo de todo este processo social que estamos vivendo, que foi efetivamente o fator desencadeador desta caminhada e seus motivos de estarmos aqui. Acredito que vivemos em um despertar novamente, de uma nova consciência, um novo grito, não mais o de 1947, mas o de 2017, onde devemos restabelecer um pensamento e conceitos que levem a instituição e o movimento a mais um período de prosperidade social e crescimento.

          Percorremos este longo caminho aprendendo e construímos bases fortes, uma estrutura invejável, com objetivos claros talvez para nós. Mas e para a sociedade? Será que estamos conseguindo fazer a transmissão destes valores a todos? Será que conseguimos transformar tudo em conhecimentos capazes de abastecer aqueles que estão a nossa volta e não sabemos atingir? Será que conseguimos nos fazer claros, didáticos, e lutamos porque temos a convicção de preservarmos valores fundamentais de nossas relações?

          Temos que buscar entendimento, buscar a tão falada simplicidade. Vejo que nos dias de hoje exemplos vêm de crianças para que os adultos possam aprender. Na 29ª Fecars, em Rolante, um menino da vaca parada, Marcos Antônio Rodrigues da Silva Júnior, admitiu seu erro enquanto adultos discutiam a questão. Ele foi o grande vencedor deste evento e demonstrou a todos um valor chamado honestidade e grandeza. Há pouco tivemos um menino, o Thomas Machado, vencedor de um evento musical em nível nacional, demonstrando humildade e simplicidade. Ambos têm em comum o que move nosso movimento, o sentimento de pertencimento e orgulho a nossa identidade regional, a nossa forma de agir, vestir e ter uma postura exemplar em relação a nossa cultura.

         Este é o espírito de 1947, de pureza, de ternura, de pertencimento de nossa cultura e hábitos comportamentais. Por isto e tão só por isto que o Movimento Tradicionalista Gaúcho começou por jovens e a eles pertence o nosso futuro.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG


quinta-feira, 2 de março de 2017

Editorial d o Presidente - Está iniciando um novo tempo. Você vem?

          O atual momento que estamos passando é de profundas transformações e um período de transição entre os 50 anos de história de nossa entidade e a preparação para o próximo cinquentenário. Digo isto baseado em inúmeras observações que tenho feito nesta caminhada pelo Rio Grande. Sinto no olhar de cada tradicionalista a esperança de que algo de novo possa acontecer, renovando a esperança e promovendo o resgaste dos verdadeiros ideais dos jovens de 1947.

           Tenho certeza de que em algum momento desta caminhada nos perdemos dos propósitos iniciais do Movimento. Falamos em simplicidade, tradicionalidade, mas o que efetivamente estamos fazendo, que posições tomamos neste momento? Vários movimentos colocam na mesa novos posicionamentos e temos que optar entre continuar fazendo do mesmo jeito ou optar pelos avanços necessários.

           Tudo tem seu preço, não nos enganemos. As mudanças cobram posicionamentos sérios, com responsabilidade, deixando de lado “compadriamentos” e “amizades” completamente permeados de “interesses”. Talvez o nosso grande desafio seja justamente quebrar estes paradigmas e muitos serão convidados a saírem de suas zonas de conforto. Eu não acredito que tantas manifestações, depoimentos emocionantes realizados por dirigentes de CTGs, que são contrários ao atual modelo (nos aspectos em que deixa de lado a essência e a naturalidade do movimento organizado) não seja capaz de inspirar e fazer acontecer um novo tempo.

           A distorção de conceitos e modelos que ocorrem especialmente nas redes sociais é incrível. Pequenos grupos defendem com grande habilidade interesse pessoais, interesses de manterem-se no comando ditando regras e sistemas que levam à descrença de nosso movimento e que beira a falência em algumas entidades. Isso tudo gera uma ilusão de que podemos chegar a um novo que nunca alcançaremos.

           Por isto digo que vivemos, nesta transição, um período extremamente importante. Devemos olhar para o passado, olhar para aqueles que construíram esta caminhada, e também olhar para aqueles que vão conduzir o movimento ao seu futuro. Mas para isso devemos ter a humildade e a grandeza de realinharmos nossa trajetória.

            A juventude deve ser efetivamente preparada para conduzir as mudanças. Os jovens  devem fazer e estabelecer estes questionamentos, construir juntos novas alternativas, oportunizar às entidades filiadas e à sociedade um novo modelo, mais contemplativo, abrangente e coletivamente mais solidário.

           Acredito e tenho plena convicção de que as lideranças do movimento (dirigentes do MTG e das mais de 1700 entidades), estão recuperando esta consciência de que devemos e podemos fazer avanços. Não temos outra escolha. Ou seguimos no modelo atual e continuamos estagnados, imóveis, sem capacidade de reação, ou com coragem estabelecemos em novo conjunto, em perfeita harmonia e unidade, abrindo uma nova estrada que permita uma caminhada igual e segura a todos.

           O tradicionalismo gaúcho é cada um de nós e nesse sentido convido cada um dos tradicionalistas a fazerem uma reflexão sincera e profunda. Lembre-se de quando conheceu o tradicionalismo, o momento exato em que se encantou com a vida que pulsa em um CTG. Lembre-se dos primeiros envolvimentos, sentindo que realmente fazia parte de algo especial. Esses sentimentos ainda vivem em você? Mais: fazem você vibrar, se emocionar e querer agir, a contribuir, não importa se faz tempo feio ou tempo bom, se é longe ou perto? Se sim, é de você que nosso movimento precisa.

           Vamos juntos multiplicar e consolidar este momento, que é de transição, sim, mas que é também de plantio. Este é o momento da escolha das sementes que queremos que frutifiquem num futuro não tão distante. Estas mudanças são esperadas e bem no íntimo aguardadas por todos gaúchos e tradicionalistas de coração, que acreditam, que acalentam um ideal, aqueles que quando pisam num CTG sentem que estão em casa.

           Os próximos 50 anos pedem esses tradicionalistas. Aqueles que não concordarem, que saiam, ou se manifestem, para que possamos construir com diálogo, interação.

           Vamos avante. “Desta jornada ou se volta com Honra ou não se volta”. (General Flores da Cunha – 1930).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Editorial do Presidente - Questionamentos e mudanças: é apenas o começo

           Saímos do 65º Congresso Tradicionalista de Bento Gonçalves com algumas certezas e muitas dúvidas. As convicções ali formadas e reforçadas indicam uma direção que já vínhamos apontando durante o ano de 2016. Nada aconteceu por um acaso divino, mas sim como resultado de um trabalho capaz de despertar em todos os setores do Movimento a disponibilidade para questionar muitas situações estabelecidas e construídas há anos – situações estas que tolhem mudanças e ajustes necessários para melhorar o processo em torno do bem da coletividade.

            Por um instante tivemos a sensação de que saímos de um dos melhores congressos dos últimos anos, pois tivemos debates e participação de setores do Movimento que nunca estiveram em evento similar. Acredito que isto sinaliza quão grande foi o período que passamos sem exercitar verdadeiros debates, sem a possibilidade de efetivamente construir novos caminhos, novas alternativas. Isto nos leva ao diagnóstico de que precisamos urgentemente aprofundarmos várias questões com o objetivo de encontrarmos as soluções e minimizar os problemas enraizados.

            Todo o sistema mantido ao longo de muitos anos, por consequência, leva a alguma acomodação, com facilidades para alguns e dificuldades para outros. É neste contexto que entra o MTG com a condição de remodelar este sistema, encontrar um novo formato que permita novos horizontes. É natural que neste cenário surjam dúvidas. De que forma podemos romper com alguns modelos existentes e estabelecer um novo formato mais coletivo e que seja contemplativo a todos?
Voltar ao passado e fazer como fizemos no início jamais conseguiremos. Devemos ter a clareza e a capacidade de absorver as movimentações sociais e os anseios de uma sociedade que quer conhecer verdadeiramente a essência e os objetivos que norteiam o Movimento Tradicionalista Gaúcho. O momento é o mais adequado para que possamos iniciar estas mudanças, que eu chamaria de adequações a uma nova realidade social que vivemos.

             A sociedade está se reformulando, buscando um ponto de equilíbrio e tentando refazer uma estrutura esfacelada. Enganam-se aqueles que acreditam que o Movimento encontra-se desarticulado, aqueles que apostam em divisão, que apostam em falta de unidade e união. Alguns setores externos pensam desta forma, pequenos grupos imaginam esta situação, procuram desestabilizar, confundir interesses pessoais com projetos coletivos. Mas a verdade é que vivemos um momento de extrema importância, um momento de uma retomada de consciência onde todos perceberam a necessidade de realinharmos nossa caminhada. Todos os setores do Movimento, em todas as suas camadas, estão unidos e voltados a edificarmos esta nova obra.

            Vamos tirar muitos de sua zona de conforto, vamos desarticular interesses de pequenos grupos que circulam como satélites sem brilho à nossa volta. Temos a convicção que a verdadeira sociedade tradicionalista busca unidade e está forte neste realinhamento. Este é nosso grande propósito, sem medo, sem receios, sabendo que é difícil, mas convictos de que podemos e devemos fazer. Este é O momento, esta é a hora. Vamos juntos fazer esta grande retomada das rédeas do Movimento.

Força e luz a todos.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Editorial do Presidente - Esperança e vontade que se renovam

           Ao chegarmos em janeiro o horizonte desponta em nossa frente anunciando um novo tempo, um reiniciar de uma nova uma caminhada, com novos desafios, projetos e objetivos que despertam em cada um o desejo de construir uma sociedade mais justa e igualitária. É chegada a hora de desenvolvermos novas oportunidades, criarmos uma consciência em novas ações que possam ir ao encontro das vontades e necessidades de uma sociedade cada vez mais perturbada pela perda de valores que estruturam e deveriam contribuir para o nosso crescimento.

            A cada ano iniciamos nossas atividades no meio tradicionalista convictos de que nosso trabalho contribui para a preservação destes valores. Não vamos voltar ao passado, não retornaremos mais aos primórdios do movimento, as mudanças sociais nos indicam um novo comportamento, mas não a volta àqueles tempos. Devemos estabelecer um modelo capaz de ser agregador, um grande entendimento coletivo que estamos no momento de compreendermos o verdadeiro sentido do voluntariado. Ser voluntário, nestes tempos, não significa fazermos favores, mas prestarmos um serviço à sociedade de uma forma consciente, responsável pela consequência de nosso esforço e nossa abnegação em ajudar as pessoas e as instituições. Este, acredito seja nosso grande desafio que enfrentaremos diante de nossa Federação e todas as entidades, sejam filiadas ou não ao MTG.

             Os próximos anos nos apontam para buscarmos um equilíbrio entre nossos valores fundamentais, dos quais jamais poderemos abrir mão, valores que são nossa identificação cultural e regional, e as mudanças avassaladoras que a cada dia invadem nosso meio, com a tentativa de corromper seja de forma consciente ou meramente impulsionada por interesses comerciais. Somos movidos por uma sentimento capaz de transpor e vencer todas estas dificuldades. Buscamos de uma forma democrática encontrar alternativas contemplativas, inteligentes, que enfrentem estas questões e nos fortaleçam indicando o caminho a ser seguido.

             Entender estes movimentos sociais pertence a este desafio. Fazer os ajustes cabe a cada um. Desenvolver atitudes e entendimento coletivo deve ser o nosso norte, a nossa luta, o caminho a ser seguido. Por isto a cada ano iniciamos esta caminhada que já dura setenta anos, quando aqueles jovem resolveram enfrentar o momento social de sua época. Eles construíram um modelo e deram um  “Basta”. Acredito que é chegado o  momento de renovarmos aquele ato, renovarmos atitudes, comportamentos, realizarmos a transição de um período para um novo tempo. Talvez tudo isto seja só um sentimento, vontades, desejos, ou efetivamente a necessidade de pararmos para pensar e refletir. E de uma forma calculada, medida, sensata e harmoniosa iniciarmos esta transição. Mas tudo passa pelo momento que chamo de “mágico”, um momento de um grande entendimento, quando tivermos a humildade e grandeza de colocarmos de lado os desejos pessoais.

               Que venha 2017 com força e determinação e que cada um faça seu melhor, dentro do melhor que tem, buscando uma condição melhor para fazer ainda melhor. Um abraço a todos; força e luz.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Editorial do Presidente - Hora de comemorar!

           Ao chegarmos em dezembro temos a tranquilidade de olharmos para trás e vermos que tivemos a oportunidade de realizar um trabalho afinado ao  interesse de todos e principalmente de nossa instituição. Nesta caminhada aprendemos, escutamos, descobrimos e conhecemos inúmeras pessoas e entidades, vivemos e partilhamos momentos mágicos, emocionantes, momentos de homenagens ao MTG, de reconhecimento de valorização de nossa cultura, nossa identidade regional e principalmente da boa convivência entre todos.

            A inúmeras conclusões chegamos, mas a principal delas é que devemos criar um mecanismo para melhorar nossa comunicação, aperfeiçoarmos  processos de um maior entendimento e multiplicarmos ideias que possam contemplar e consolidar as vontades coletivas. Fico feliz porque muitas ideias que venho defendendo, pela necessidade de algumas mudanças, começam a ganhar força, voz e vontade. Acredito que, apesar de dificuldades, interesses dos mais variados, todos juntos possamos, aos poucos, fazermos os ajustes necessários e implementarmos um modelo capaz de um maior entendimento e que seja um facilitador com a sociedade.

            Após um ano de trabalho, um ano em que celebramos todos juntos a trajetória de nossa instituição, procurando levar seu nome, valor e inserção social a todos os lugares pelos quais percorremos neste Rio Grande e fora dele, nos sentimos mais confiantes e orgulhosos desta caminhada.

            A todos que, de uma forma ou de outra, nos têm ajudado, apoiado, compreendido, aconselhado e incentivado, só tenho que agradecer. Os gestos de carinho e reconhecimento, a mão amiga na hora da decisão, do apoio, são capazes de remover montanhas, de achar soluções e nos conduzir por caminhos difíceis - muitas vezes recolhidos ao nosso “eu“ sofremos internamente e lutamos para encontrarmos o caminho da justiça e da verdade.

            Agradeço a todos os coordenadores regionais, conselho diretor, diretoria do MTG, colaboradores, corpo técnico, as entidades tradicionalistas, as patronagens, os meios de comunicação (rádios, tvs, jornais, sites) e principalmente à juventude, esta gurizada que tanto trabalha, que tem a responsabilidade de levar a instituição ao seu centenário.  É chegado o momento desta transição, de uma renovação responsável, para nunca perdermos nossas referências, nossas origens, todos que contribuíram para a estruturação e consolidação do MTG. 

            Que neste momento possamos refletir, buscar a harmonia, o entendimento. Que o espírito de luz e muita paz norteie nossa caminhada e nos mantenha cada vez mais fortes e unidos. Muito obrigado a todos, muito obrigado ao Rio Grande por ter me feito gaúcho.

Abraço a todos. 


Nairo Callegaro
Presidente do MTG

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Editorial do Presidente - Um cinquentenário de muita história e emoções

           O mês de outubro de 2016 entrará para a história do MTG. Completamos 50 anos de uma jornada construída com trabalho de muitas pessoas, com lutas, sacrifícios, vitórias e derrotas. Ao longo do ano foram realizadas homenagens nas Câmaras Municipais e em nível federal. Os eventos do MTG sempre pautaram estas homenagens envolvidos em um espírito agregador, de muita união e busca de solução para nossas necessidades.
 
           Nas entidades e regiões tradicionalistas eventos foram direcionados ao cinquentenário, não somente para celebrarmos, mas principalmente, para refletirmos a respeito de nossa relação com a instituição, a sociedade e nosso comportamento como grupo social. 
 
            Muitas questões estão sendo debatidas, discutidas e aprofundadas de uma forma leve,  com calma e reflexão, em nível de direção com as Regiões Tradicionalistas, lideranças de entidades e principalmente junto aos jovens, exercitando a capacidade de pensarmos de forma coletiva, participativa e capaz de despertar um processo de construção de  novos caminhos e alternativas para seguirmos em frente, preservando e fortalecendo nossos valores fundamentais.
 
            Realizamos em Porto Alegre uma grande festa. Muitos foram homenageados:  tradicionalistas, entidades, a imprensa, o MTG. Realizamos a maior cavalgada realizada em nossa capital. Voltamos ao ano de 1947. Fomos ao colégio Julio de Castilhos, onde homenageamos a escola e depois rumamos ao 35 CTG. Em ambos fomos recebidos pelo grande pensador e idealizados deste movimento, o Sr. Paixão Côrtes. Acima de tudo foi a demonstração de reconhecimento de todos a este processo social iniciado na década de quarenta, a aproximação e união referenciando o momento de início de nosso movimento, as nossas origens, o nosso marco zero.
 
            Uma festa que, acima de tudo, enalteceu a história, fortaleceu nossa instituição, reatou caminhos que haviam se perdido e mostrou acima de tudo a capacidade de superação na realização de seus eventos. Outro aspecto a enaltecer foi a exposição no memorial do Rio Grande do Sul, “50 anos do MTG – Tradição e Legado”, um momento extremamente importante que leva ao encontro da sociedade a memória desta instituição, aproximando com o centro cultural de Porto Alegre, a Praça da Alfândega, um pequeno projeto, mas um grande passo para incluirmos o MTG em uma grandeza diferente junto aos setores culturais do Estado. 
 
            Mas não podemos deixar de citar neste mês de novembro a realização de nosso maior festival – o ENART. Vamos acima de tudo para Santa Cruz do Sul continuarmos a celebrar o cinquentenário do MTG, realizarmos de forma harmônica um festival que representa muito e demonstra nossa força de organização, emoção e superação. Isto é o nosso Enart, com uma participação ampla que oportuniza a todos o direito de fazerem parte desta grande festa.
 
            Desejo a todos grandes momentos, emoções e encontros, o fortalecimento de amizades e a descoberta de novas, a compreensão, a sinceridade e a capacidade de união, que somente nosso movimento ainda é capaz de realizar. Um abraço a todos e Vida Longa ao MTG.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Editorial do Presidente - Estamos todos de parabéns. Vida longa ao MTG!

               Chegamos a outubro, o mês onde há 50 anos iniciou a caminhada, dando seus primeiros passos, a instituição chamada MTG. Talvez nunca aqueles homens que discutiram exaustivamente a criação desta federação, imaginavam a dimensão que ela alcançaria. Meio século ainda é pouco, nem história é, mas a força de sua inserção social, a intensidade e abrangência com que suas ações atingem nossa sociedade estabelecem uma relação de resgate da tradição e conservação de valores éticos, morais e culturais. Apontam a um futuro promissor onde poderemos construir um campo amplo para uma grande discussão e a formação do que podemos dizer de uma Consciência Coletiva. Este imaginário social torna-se uma realidade que vai além das fronteiras de nosso pais. O que cada gaúcha carrega é o sentimento de pertencimento à sua identidade regional, ao orgulho de ser Gaúcho. É saber que tem origens, tem suas referências.

                O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) é uma consequência deste processo social, deste sentimento que permaneceu durante anos adormecido, que algumas iniciativas não foram capazes de dar esta continuidade, este movimento que tem hoje. Neste momento devemos restabelecer algumas posições e convicções, devemos ir ao encontro de vontades e projetos coletivos. O impositivo, vontades pessoais, devem dar lugar a projetos contemplativos, amplamente abrangentes do todo. Assim nasceu o movimento, esta força que nos move, nos faz pensar, refletir e tomar posições referenciais que conduzem ao bem-estar da população.

                Estamos todos de parabéns. A comunidade tradicionalista construiu um belo e grandioso trabalho. Hoje vemos gerações participando e convivendo, cada uma ao seu tempo de sua forma, e dando a contribuição necessária para o fortalecimento de nossa cultura regional. Este trabalho comprometido, voluntário, realizado em todas as entidades filiadas e não filiadas, mas que seguem de forma linear as principais orientações do MTG, nos revela de uma forma contundente e fortalece os objetivos dos jovens de 47 que são reafirmados com a criação de nossa federação.

                 O MTG está em uma outra grandeza. Temos que ter esta consciência e desta forma trabalharmos nossa instituição, fazer valer estes valores maiores, valores muito caros para todos, e continuarmos lutando por uma consciência coletiva capaz de agregar, unir e fortalecer ainda mais nossas posições perante a sociedade e os órgãos administrativos e legisladores. Mas jamais esquecermos que chegamos até aqui pelo nosso trabalho, união, desbravando nosso caminho pelas nossas próprias pernas. Assim somos, e sempre seremos, fortes, altivos, firmes e convictos de nossas posições. Ser gaúcho é um grande privilégio. Todos temos este sentimento independente de sermos tradicionalistas ou não, mas pertencer ao Movimento Tradicionalista Gaúcho é uma oportunidade única de reafirmarmos valores de nossa formação e identidade local, um orgulho a todos que ajudaram a pensar, construir e defender esta instituição.

                  Um grande abraço a todos e vida longa ao MTG.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Editorial do Presidente - Somos todos gaúchos

           Que sentimento é este que nos move e que nos toma a todos no mês de setembro, independente de sermos tradicionalistas ou não? A cada setembro renasce esse espírito em cada gaúcho, homem, mulher, criança...

           A chama crioula percorre todos os rincões de nosso estado e  carrega este sentimento, refletindo vontades coletivas e individuais. Que poder é este, fascinante, envolvente, apaixonante, que nos faz trabalhar, abdicar de nossas vontades pessoais, profissionais, e até mesmo familiares, levando a uma dedicação que transcende nosso entendimento? É algo que nos une, fortalece, nos aponta um caminhar único, uma só direção. A cada mate, cevado e compartilhado, temos a oportunidade de refletir sobre nossa sociedade, nossas ações, o que realmente estamos contribuindo ou simplesmente ficamos a exigir, cobrar e não indicarmos novos rumos, novos caminhos, somente preocupados com interesses pessoais, de pequenos grupos. Por isso, a cada ano, setembro chega para revigoramos estas posições, para refletirmos, para quem sabe recomeçarmos, para entendermos o motivo pelo qual festejamos o vinte de setembro.

           Acima de festas, bailes, comemorações, devemos mergulhar em uma profunda reflexão de nossas posições, ações e comportamento. Este sentimento que invade a todos é algo diferenciado, que nos faz sermos um só. Talvez sejamos os centauros de outrora que defendiam com altivez, coragem, determinação e honradez seus ideais. Mas este sentimento é de pertencimento à nossa identidade regional, nossa cultura, nossas raízes, nossa formação, é algo que vem de geração em geração, é uma apropriação que devemos fazer de nossa história, mostrar quem somos, de onde viemos e para onde vamos, termos orgulho, fazermos valer e respeitar nossas posições. Acima de tudo, de qualquer evento criado, formatado, este algo que pertence a todos, o sentimento de sermos Gaúchos, os valores que lutamos para preservar, manter. Setembro permite mergulharmos com intensidade neste sentimento que é único, que é nosso, que é do Rio Grande, que nos inflama o peito, enche os olhos ao cantarmos o Hino Rio-Grandense com orgulho e altivez, porque ele nos identifica, diz quem somos, mostra nosso DNA. Estes momentos atuais, que vivenciamos, são construídos por todos, pela sociedade, por todas as classes, afinal este sentimento vem da alma, do coração de cada Gaúcho, é o nosso SER.

           Dedico estas palavras deste nosso sentimento ao grande amigo, que neste momento, quando comecei a escrever, parte para a estância Grande, para  onde uma dia todos iremos, sem restrição, sem discriminações, que fez deste sentimento uma forma de vida e valorização de  nossa cultura. Escrevo com o coração apertado e triste. Vá com Deus meu amigo, ex diretor campeiro da 1ª Região Tradicionalista, ex-patrão do DTG Lenço Colorado, Paulo Renato Bellarmino. O sentimento permanece em cada coração e atitude dos sul rio-grandenses


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Editorial do Presidente - E os próximos 50 anos? O futuro repete o passado: estão nas mãos dos jovens

              O Movimento Tradicionalista Gaúcho passa um momento extremamente importante. Devemos todos reconhecer a grandiosidade desta instituição, o alcance social de suas atividades e a inserção que tem em nossa sociedade.

              Tenho percorrido o Rio Grande em inúmeras homenagens de reconhecimento de nossos legisladores ao trabalho realizado pelo MTG, e por este entenda-se as entidades tradicionalistas filiadas e as pessoas, pois são estes os agentes deste processo transformador e de inclusão. O esforço e ações pessoais de cada tradicionalista construiu a grandeza do MTG, principalmente quanto à participação dos jovens nesta caminhada. Afinal, o movimento iniciou-se por jovens e a eles pertence a responsabilidade da condução dos destinos do MTG por mais cinquenta anos.
 

            Percebo que a cada encontro aprofundamos questões fundamentais com a sociedade, com nossos governantes e com os jovens. Estes sim são a seiva, a mola propulsora para impulsionar e dar continuidade aos ideais dos meninos de 1948. Duas perguntas me fazem: qual a participação dos jovens e se o movimento continua crescendo - e lhes respondo que, apesar de vivermos uma profunda crise econômica e social, de inversão de muitos valores, é na crise que crescemos, descobrimos alternativas, buscamos novos caminhos, abrimos novas picadas, saímos da zona de conforto para enfrentarmos com coragem os desafios propostos pela sociedade. Assim somos todos, assim o Movimento Tradicionalista Gaúcho construiu sua trajetória ao longo de cinquenta anos de instituição e sessenta e oito de movimento organizado.

              Nossos eventos, encontros, reuniões crescem com uma velocidade espantosa, acompanhando as movimentações e imposições da sociedade. A cada encontro saímos fortalecidos, revigorados, unidos e convictos do caminho a ser percorrido. Neste contexto vem a resposta para a segunda pergunta, todo este crescimento passa pela atuação efetiva e fundamental dos jovens, das famílias, amigos.


              Os conceitos, objetivos e documentos do MTG foram elaborados grandes jovens pensadores que vislumbraram nesta associação um modelo capaz de absorver suas necessidades, seus anseios, suas vontades e realizarem a grande tarefa de deixarem para sociedade verdadeiros cidadãos, homens e mulheres de bem, capazes de construir uma sociedade mais justa, igualitária, humana e acima de tudo mais coletiva. Vejo em cada olhar, em cada abraço, aperto de mão, em cada encontro a certeza da reafirmação de todos os valores maiores e fundamentais de nossa instituição.


             Vamos ao acendimento do nosso maior símbolo cívico, a Chama Crioula, que tem uma representatividade individual e coletiva, mas que acima de tudo é um ato de união, é um referencial é uma volta às origens, aquele setembro do ano de 1947, para jamais esquecermos de onde partimos.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Editorial do Presidente - Não há nada superior à verdade

           Passados dois anos e meio na direção do MTG, sendo os últimos seis meses como presidente, acompanhei as dificuldades enormes que tivemos que vencer - dificuldades de ordem estrutural, administrativa e principalmente financeira, todas elas superadas com trabalho, planejamento, seriedade e comprometimento com a instituição. Sofremos inúmeros ataques, muitas vezes personalizados, ataques à credibilidade da entidade e das pessoas.

           Felizmente, estamos no caminho certo e as vitórias na Justiça mostram que nossa estrutura organizacional funciona e respalda nossas ações. Trago esta questão porque no dia 29 de junho de 2016, mais de dois anos depois da realização da FECARS – Festa Campeira do Rio Grande do Sul, no município de Viamão, veio à luz da verdade o arquivamento do processo de investigação do Ministério Público quanto a acusações feitas ao presidente da época, o Sr. Manoelito Savaris. Com ele, todos nós da diretoria nos sentimos acusados, mas, como diz o ditado, a verdade tarda mas não falha.

           A Fecars foi realizada com extrema dificuldade, principalmente de ordem estrutural e financeira, com recursos escassos e faltantes. Coube à Diretoria cumprir e pagar, como foi feito, todos os compromissos que ficaram pendentes. É uma tristeza quando uma instituição e pessoas que a dirigem são expostas a interesses estranhos, obscuros, que permeiam a falta de comprometimento com a verdade e a ética.

           O MTG está em uma outra dimensão, em uma outra grandeza, tem a capacidade de superar estes momentos, absorver através da capacidade de seus dirigentes todas as  “crises”  impostas à nossa entidade. Vencemos mais uma, como tantas outras, e muitas virão e todas venceremos, porque sempre caminhamos com a legalidade, honestidade, transparência e, acima de tudo, com a verdade.

           Nossa instituição está em pleno crescimento. Há pessoas capazes e comprometidas com a construção de uma sociedade justa e formadora de pessoas de caráter que exercem o verdadeiro papel de cidadãos. Tenho minhas convicções, objetivos, análises a respeito de nosso movimento.

           Vivemos um momento extremamente importante, de profunda reflexão, mas de uma grande afirmação como instituição – corroborada pelas vitórias no Judiciário. O fortalecimento passa também por estas ações, além do trabalho já consolidado ao longo destes cinquenta anos do MTG, do reconhecimento por setores relevantes da sociedade, por órgãos governamentais.

           Vamos continuar lutando e acreditando, e, acima de tudo, continuaremos juntos, unidos e cada vez mais certificados da importância do nosso movimento. Temos o desafio de continuar fazendo cada vez melhor nossas ações, prevalecendo a transparência, a honestidade e, acima de tudo, a verdade.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Editorial do Presidente - Para não perder os trilhos da história

         Vivemos momentos de extrema dificuldade em nossa sociedade, momento propício e campo fértil àqueles que levantam incertezas, dúvidas, implantam desconfianças e não desejam que as coisas se estabeleçam com tranquilidade e serenidade. Infelizmente, para aqueles que se intitulam verdade absoluta, caminho seguro, sem a capacidade de reconhecer outras alternativas, verdadeiras e propositivas, alimentar dúvidas quanto à capacidade individual de realização é uma das estratégias largamente usadas. Estas situações se enquadram nas relações dos indivíduos e em relações institucionais. O próprio MTG, uma entidade que constrói ao longo de sua história uma trajetória forjada em valores que moldam nossa sociedade e nossa identidade regional, também sobre ele recaem dúvidas, falta de apoio, descrédito, alimentando um desconhecimento que muitas vezes parece provocativo e sem o devido reconhecimento.


           Devemos ter a grandeza e a sensibilidade de tomarmos as posições devidas e necessárias para buscarmos cumprir objetivos claros de nosso Movimento, de agregar, oportunizar o surgimento e a construção de novas lideranças, saber que a sociedade tem capacidade intelectual de contribuir com a caminhada de nossa instituição. Quando nos apercebermos pode ser tarde demais. Movimentos paralelos e interesses rondam nossa organização. Alguns movimentos coletivos, individuais, que se julgam organizados, tentam interferir nos processos de caminhada do nosso Movimento.

           Este é o grande momento de retornarmos a pensar o Movimento. A necessidade é urgente. Precisamos aprofundar debates, estudos, análises, projetar nosso futuro buscando alternativas que estabeleçam uma situação confortável de nossa instituição. Nosso crescimento é visível e mensurado a cada evento que realizamos e o caminho é este. As soluções estão a nossa frente, basta abrirmos os olhos, a mente, mudar e reestruturar algumas atitudes e posicionamentos, posturas, sairmos de uma zona que consideramos de conforto e implementarmos os processos evolutivos que a sociedade nos oferece, buscando um aperfeiçoamento em nossas relações, sem perdermos a simplicidade e ao mesmo tempo fazendo um resgate destas questões e das formas como fazíamos há algum tempo atrás.

            Este é o momento de gerarmos estes questionamentos, de aprofundarmos questões que se apresentam, de pensarmos que forma queremos que nosso Movimento se apresente à sociedade. Temos uma grande força, uma grande organização, eventos envolventes, pessoas abnegadas e solidárias a este trabalho. O MTG, nossa federação, deve ser cada vez mais engrandecido, valorizado e a ele dado o devido reconhecimento quanto a sua importância social.

           Temos história, serviços prestados à sociedade, comprometimento com o coletivo, com a família, responsabilidade na construção de soluções juntamente com os governos legitimamente constituídos e comprometidos com as organizações sérias e construtoras de um bem maior, o bem social. Assim está o MTG para o estado.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Editorial do Presidente - O público, o institucional e o privado

          Vivemos um momento especial, momento importante, que permite celebrarmos a maior instituição associativa civil de nosso estado, talvez de nosso país, com objetivos claros e aspectos filosóficos e sociológicos que permanecem inalterados ao longo destes anos.

          De que forma podemos fortalecer tais valores, o que a sociedade espera, o que nossos associados necessitam, o que eles precisam e esperam que a instituição faça por todos. Vejamos que, além de festejar, confraternizar, celebrar e comemorar, acredito que possamos fazer deste ano do cinquentenário um grande momento de reflexão. Rever formas e mecanismos que praticamos incansavelmente, às vezes nos apropriando involuntariamente, mas sempre com o desejo e a vontade de fazer mais e melhor.

          Não temos culpa, mas carregamos uma expectativa de todos dos que querem fazer, querem ser ouvidos, querem ser entendidos, querem colaborar, contribuir, serem agentes efetivos de um processo que pertence a muitos, ou, digo, pertence a todos.

          Olhar para o passado e buscar a tradicionalidade, simplicidade e originalidade dos primórdios do Movimento Tradicionalista Gaúcho é, sem dúvida alguma, nosso maior desafio. Cumprir o papel orientador e organizador deve ser nosso norte, mas de uma forma positiva e inclusiva em sua totalidade.

           Jamais podemos nos prender a vontades e vantagens pessoais nos valendo de toda a estrutura e organização que temos em nossa instituição. Devemos nos manter alertas a estas questões. Temos a clareza do momento social que vivemos, a evolução dos métodos, a adequação dos processos, até mesmo sua profissionalização. Os interesses da instituição construídos ao longo deste meio século, por muitas mentes pensantes, devem ser preservados, mantidos e transmitidos às novas gerações. Nunca devem ser apropriados e usados para projetos pessoais.

           Refiro-me ao patrimônio cultural, intelectual e social construído ao longo deste tempo pelo MTG. A quem ele pertence, se não ao MTG? De que forma pode e deve ser usado, por quem, e quem tem o direito de manipular? Estes são questionamentos que me faço, e faço aos senhores. Não tenho e não vejo hipótese de alguém ter o direito de expor este patrimônio “imaterial” do MTG sem sua prévia autorização.

           Assim, penso e acredito que valores maiores e referências físicas devem ser preservadas, respeitadas, para que nossa instituição busque um crescimento, um aprimoramento e amadurecimento na condução de todas estas questões. Deixo estas perguntas, que são minhas e de muitos, mas, acima de tudo, acredito que em cada um está a resposta. Cada tradicionalista sabe o que e como deve ser feito, e deve fazer. Espero a compreensão e o entendimento para, daí, juntos, respondermos a estes questionamentos e encaminharmos às nossas soluções.
Preservar e transmitir, ouvir e ser ouvido, falar e fazer, planejar e construir, mas acima de tudo a INSTITUIÇÃO.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

segunda-feira, 28 de março de 2016

Editorial do Presidente - O futuro está no passado

          Santiago do Boqueirão foi sede da realização da 28ª Fecars. Neste mesmo local já foram realizadas mais duas festas e um Rodeio Nacional. Acredito que realizamos uma das maiores festas campeiras, com muita harmonia, união e paz, presença de todas as regiões, comprometimento de todos os participantes, organizadores, coordenadorias, direção do MTG e Fundação Cultural Gaúcha.

          Talvez estejamos vivenciando um momento importante na realização de nossos eventos, momento em que nossa sociedade encontra muitas dificuldades. Mas este evento,  em particular, acredito que tenha sido um marco, uma volta ao passado, uma redescoberta do Movimento de como realizar um grande atividade em parceria com uma entidade filiada (CTG Coxilha de Ronda ), sem recursos públicos, contando com a estrutura da entidade (financeira inclusive), apoio dos associados (voluntariado), comissão executiva, diretoria e aporte financeiro do MTG.

          É só um pequeno começo. Devemos continuar nesta direção, construindo novas alternativas, processos e mecanismos que possam gerar recursos para pagamento de todas as despesas. Devemos intensificar, aprimorar, e até mesmo insistir, trabalhar mais, mostrar como as coisas aconteciam em um tempo não muito distante, tempo em que servir o movimento era um prazer, se fazia para o crescimento deste e a valorização do ato de transmitir nossa cultura.

           Em algum momento de nossa caminhada perdemos um pouco desta simplicidade e capacidade de nos doarmos. Acredito que este é um momento de retomada destas atitudes, de dizermos basta para alguns comportamentos, termos coragem para efetivamente implementarmos mudanças que possam influenciar na construção de cidadãos, pessoas de bem, pessoas capazes de contribuírem para o crescimento e fortalecimento de nosso meio e consequentemente nossa sociedade. Aperfeiçoar nossos processos talvez seja nosso grande desafio. Ao longo de sua caminhada nossa instituição aprendeu a ter postura e representatividade, manteve valores, objetivos e um trabalho invejável.
 
          O MTG não realiza eventos com o planejamento de auferir recursos para seus cofres. Temos o compromisso da preservação de valores maiores, que através destas atividades demonstramos e deixamos claros nossos propósitos. Santiago nos deixa este grande legado, de que é possível sim trabalharmos com harmonia e resgatarmos o verdadeiro espírito de comprometimento e a partilha de responsabilidades. Afinal, este movimento é de todos. O MTG somos todos nós, em comunhão, trabalhando e construindo um caminho capaz de nos fortalecer e levar a mais 50 anos.